Publicado em 08/04/2026

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ABRIL AZUL: Igreja do Evangelho Quadrangular promove live sobre autismo e reforça que a inclusão começa no coração

No Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril, a Igreja do Evangelho Quadrangular realizou uma live especial com foco em inclusão, acolhimento e transformação dentro da igreja. A transmissão que aconteceu ao vivo, no canal oficial da IEQ no YouTube (@quadrangularoficial), reuniu lideranças da denominação para discutir o papel da igreja diante da realidade das famílias atípicas.

Com o tema “Lugar de autista é em todo lugar, inclusive na igreja”, o encontro virtual foi direcionado às famílias atípicas, líderes, pastores e membros da igreja e teve como objetivo ampliar o debate sobre o papel da igreja como espaço acolhedor, acessível e preparado para receber pessoas no espectro autista e suas famílias.

A live contou com a participação de convidados especiais, como a pastora Bianca de Oliveira, coordenadora nacional do Grupo Missionário de Mulheres (GMM) e embaixadora da comunidade surda Quadrangular; a pastora Flávia Santos, de Recife; e o pastor Getúlio Vargas, de Porto Alegre, envolvidos ativamente no trabalho com famílias atípicas na igreja e a pastora Débora Pereira, de São Paulo, mediadora do encontro. Eles compartilharam experiências, orientações e reflexões sobre inclusão na prática.

A abertura destacou o propósito central da iniciativa: despertar a igreja para uma missão que não pode ser negligenciada; acolher todas as pessoas, sem exceção. O convite foi claro: ampliar o alcance da mensagem, envolvendo não apenas pastores e líderes, mas também membros e famílias que convivem com o autismo no dia a dia.

Um espaço de aprendizado e conscientização

A pastora Flávia Santos abriu o tema compartilhando dados importantes e a sua experiência pessoal no acolhimento de famílias atípicas, reforçando o compromisso da igreja em levar o evangelho a todos, incluindo pessoas no espectro autista. Em sua fala, destacou que a inclusão começa no coração e que esse processo teve início quando essas famílias passaram a chegar às igrejas, mesmo sem que houvesse preparo prévio. Ainda assim, segundo ela, a decisão de agir foi essencial.

A pastora ressaltou que, embora a igreja não seja uma clínica, ela precisa acolher com responsabilidade, buscar conhecimento e entender que a inclusão não deve se limitar ao departamento infantil, mas envolver toda a comunidade.

O pastor Getúlio, de Porto Alegre, também compartilhou sua vivência como pai de uma criança autista, trazendo uma perspectiva prática e sensível sobre o tema. Ele destacou que o diagnóstico costuma ser um momento de grande impacto para as famílias, marcado por choque, dor, medo e desafios diários. Segundo ele, muitos pais vivem sob constante pressão emocional, lidando com situações que exigem adaptação contínua. Nesse contexto, reforçou que a empatia é essencial: sentir a dor do outro é o que transforma líderes e membros da igreja em um apoio real e efetivo para essas famílias.

Ao abordar caminhos possíveis, o pastor apresentou uma orientação simples e direta para igrejas e líderes que desejam iniciar esse processo de inclusão: começar pelo básico: amor e empatia. “Quando o amar for verdadeiro, o cuidar será natural”, destacou. Na sequência, a pastora Bianca complementou a reflexão ao explicar que a inclusão ganhou força dentro da igreja por sua própria vocação missionária, aliada a experiências próximas que evidenciaram essa necessidade urgente. Ela também apontou a falta de informação como um dos principais desafios e deixou um chamado claro: é preciso olhar mais, amar mais e acolher mais.

Ao longo da conversa, o encontro foi definido como um espaço de troca, aprendizado e, sobretudo, conscientização. A proposta não era esgotar o tema, mas provocar reflexão e abrir caminhos. “Não é sobre ter todas as respostas, mas sobre começar”, foi uma das ideias reforçadas durante a transmissão.

Inclusão além da estrutura

Um dos pontos mais enfatizados foi a necessidade de mudar a perspectiva sobre inclusão. Segundo os participantes, o processo não começa com adaptações físicas ou grandes investimentos, mas com uma transformação interna. A pastora Flávia destacou que muitas igrejas ainda se sentem despreparadas, mas isso não pode ser motivo para inércia. “Antes de adaptar salas, Deus quer transformar corações”, resumiu. Ela relembrou o início de seu trabalho com crianças, em condições simples, sem estrutura adequada, mas com disposição para servir. A mensagem foi direta: é possível começar com o que se tem.

Testemunhos e impacto real

Durante a live, relatos emocionantes reforçaram o impacto da inclusão na prática. Um dos testemunhos citados foi o de um pai que chegou à igreja em profundo desespero, com intenção de tirar a própria vida. Após ser acolhido, ouviu a mensagem, teve uma experiência espiritual e encontrou apoio na comunidade. Hoje, sua família está restaurada. O caso ilustra o papel da igreja como espaço de recomeço — não apenas espiritual, mas também emocional e social.

Empatia como ponto de partida

A fala do pastor Getúlio trouxe a perspectiva de quem vivencia o autismo dentro de casa. Ele ainda destacou os desafios enfrentados pelas famílias, desde o diagnóstico até as dificuldades cotidianas, muitas vezes invisíveis para quem está de fora. Segundo ele, a empatia é o elemento-chave para qualquer mudança real. “O autista ocupa espaço, e muitas vezes as pessoas não querem abrir mão do seu próprio espaço”, pontuou, ao falar sobre comportamentos que ainda geram desconforto dentro das igrejas. A conscientização, portanto, passa por ensinar a comunidade a compreender, respeitar e acolher.

Inclusão é direito e expressão de amor

Outro destaque da live foi a diferenciação entre integrar e incluir. Integrar, segundo os participantes, é apenas permitir que a pessoa esteja presente. Incluir, por outro lado, exige transformação do ambiente para que ela realmente faça parte.

A mensagem foi reforçada com dados e experiências práticas, mostrando que muitas famílias vivem sob pressão constante, enfrentando desafios emocionais, financeiros e sociais. Nesse contexto, a igreja é chamada a ser mais do que um espaço religioso: deve atuar como rede de apoio.

Um chamado à ação

No encerramento, a pastora Bianca reforçou o compromisso da igreja com a inclusão e deixou um convite direto às lideranças: agir. A proposta é que cada igreja local assuma sua responsabilidade, utilizando ferramentas já disponíveis, como conteúdos formativos e materiais de apoio, e dando passos práticos na direção de uma igreja mais acessível.

A  mensagem central da live pode ser resumida em uma frase que atravessou toda a transmissão: a inclusão não começa com estrutura; começa com amor. E, a partir desse ponto, o cuidado se torna um caminho natural. O trabalho de inclusão na IEQ conta com o apoio do reverendo Mário de Oliveira, presidente nacional da denominação, que tem reafirmado seu compromisso com a construção de uma cultura inclusiva sólida e contínua, que ultrapassa ações pontuais e se consolida como parte da missão da igreja. A live completa está disponível para acesso no link.

Michelle Oliveira